segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Pasteur e a cura da raiva

Representação da inoculação de Joseph Meister

A grande contribuição de Louis Pasteur para a história da medicina e da humanidade foi demonstrar que micro-organismos podem causar doenças. Antes dele, tentava-se explicar as doenças contagiosas com complicadas teorias relacionadas a desequilíbrio de humores e fatores ambientais. A mudança de paradigma fez com que fossem abertos os caminhos que levaram a medicina a entender e aprender a combater com sucesso numerosas doenças infecciosas.

A raiva era motivo de grande preocupação e medo no século XIX na Europa. A mordedura por um cão raivoso, o que não era raro, significava condenação à morte. Em 1879, o veterinário Pierre Victor Galtier (1846-1908) publicou um artigo mostrando que a raiva podia ser experimentalmente transmitida pela saliva do cão para um coelho e, também experimentalmente, constatou que a inoculação de saliva de cão raivoso em ovelha por via subcutânea produzia raiva, mas isso não acontecia quando a inoculação era por via endovenosa. Reinoculada, a ovelha que recebera o vírus por via venosa não contraiu a doença. Com coelhos, o resultado foi o mesmo.

Possivelmente influenciado pelos trabalhos de Galtier, mas sem dar-lhe o crédito, Pasteur e outro grande cientista, Emile Roux começaram a pesquisar sobre a raiva em 1880. Nessa ocasião, a teoria microbiana já tinha plena aceitação no mundo médico e eles tinham a convicção de que a raiva era também uma doença causada por micro-organismos. 

Pasteur conseguiu produzir, por sucessivas inoculações em coelhos uma forma atenuada do vírus da raiva e que conseguia prevenir a raiva em cães no laboratório. Em 1885 foi procurado pela mãe de uma criança que havia sofrido ataque de um cão raivoso. Pasteur justificou a decisão de testar a sua vacina, já que a morte do garoto parecia inevitável e o seu método tinha mostrado “consistente sucesso com cães”.
Joseph Meister

Questões éticas à parte, que não cabem ser discutidas aqui, até por anacronismo, no dia 06 de julho de 1885, Joseph Meister, o menino de 9 anos de idade, começou a receber injeções diárias progressivas de uma suspensão obtida da medula espinal de coelhos com o vírus atenuado. Joseph Meister sobreviveu. Em outubro de 1885, Pasteur comunicou o resultado do tratamento à Academia de Ciências de Paris. Um ano depois ele já tinha feito o tratamento de 2490 pessoas.

Grande parte do prestígio de Louis Pasteur veio desse episódio. A partir de então, com as doações que recebeu de várias partes do mundo, fundou o seu famoso Instituto, local em que Meister trabalhou por vários anos.

Postado por Neto Geraldes
Data: 01.12.2013
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